sábado, 18 de abril de 2009

Momentos de monotonia


Dia desses, estava presente em uma determinada discussão, cujo assunto central, em dado momento, foi se era pior ser traído por alguém do mesmo sexo ou por outrem do sexo oposto, houve poucas respostas, porque o tema foi comutado em poucos instantes; contudo, uma delas dizia que era pior ser trocado por alguém do mesmo sexo, tendo em vista que tal pessoa teria mais atrativos se comparada com o ente traído, em contrapartida se fosse por um indivíduo do mesmo sexo não haveria possibilidades de concorrência, destarte seria menos doloroso.

Discordo de tal opinião tendo por base duas citações, primeiramente, como disse Nietzsche, nós amamos mais o ato de desejar do que o objeto desejado e, ademais, "Sempre que fazemos alguma coisa com muita frequência, ela jamais se constitui em um prazer", dito por Oscar Wilde. Ou seja, não há uma competição justa entre alguém que integra um relacionamento já desgastado pelo hábito e pela mesmice cotidiana com outrem imprevisível e fascinante, porquanto muitas pessoas perdem a imprevisibilidade e a arte de fascinar com o decorrer do tempo, com a queda do véu, o qual é responsável pelo misticismo, este detentor de enorme fascínio.

Adotando novamente a teoria de Oscar Wilde*, pode-se comer o seu prato favorito durante duas semanas, nos primeiros dias isso será visto como formidável, devido ao enorme prazer gerado; todavia, com o passar dos dias, ansiaremos por mudar o cardápio, embora por algo que não seja nosso alimento predileto, o mesmo ocorre se o melhor disco da melhor banda que consideramos for ouvido durante o mesmo período sem jamais alterarmos por outro. Haverá desgaste, desejo por algo distinto, o mesmo ocorre com a espécie de amor aqui tratada quando ela se torna um cárcere de repetições ao invés de uma aprazível forma de liberdade e inovações.

*Ler o escrito "Cárcere das repetições" presente neste blog. 

2 comentários:

ameliaesta disse...

Ótimo texto, adorei a parte sobre o consumo de seu favorito e o desgaste.
Maravilhoso. *-*

Marcelo A. disse...

Cara, valeu mesmo pela visita lá no "Diz"! Não conhecia seu blog e foi uma grata surpresa chegar aqui. Engraçado que temos um amigo em comum, o Vinícius do "Rebuscando a Consciência".

Gostei muito da exposição da sua idéia. Esse último parágrafo, onde você fala da predileção e o desgaste... putz! É tudo o que eu penso...

Apareça mais vezes!

Abração!