domingo, 24 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Dever deveras duvidoso

Vivemos em um país democrático onde somos obrigados a votar e só o cego consegue afirmar que há liberdade para todos. Quanto à liberdade, não haverá argumentações neste escrito, pois o assunto principal é o dever de votar.
Sócrates faz uma importante distinção entre os indivíduos capazes de provocar alguma espécie qualquer de benefício para algum empreendimento e os demais, que se não forem de atuação inócua, servirão apenas para agravar o problema. De forma prática, se um de nossos familiares está doente, podemos chamar um profissional a fim de examinar nosso ente querido, e lhe receitar uma medicação apropriada visando a sua cura, ou pode-se chamar um leigo qualquer que nada compreenda acerca da medicina, podendo este recomendar algo que de nada servirá, deixando assim o enfermo na mesma situação em que estava antes de se tratar, ou indicando ao indivíduo carente de saúde algo inadequado que intensificará sua enfermidade.
Parece-me bastante digna de consideração a teoria de Sócrates, onde somente alguns são hábeis em determinado assunto e somente a esses se deve recorrer quando se almeja tomar as decisões mais sábias possíveis, portanto é correto que todo indivíduo tenha o dever de votar? Inclusive os que nada compreendem de política. É uma atitude correta pôr algo tão importante nas mãos de quem pouca consciência possui sobre o que lhe estão incumbindo, ou seja: tomar parte importante na decisão do futuro do país?
Todavia, creio que muitos optariam por não votar se isso lhes fosse possível, pois têm consciência do seu não entendimento acerca do assunto em questão, da mesma forma que inúmeras pessoas recusar-se-iam a fazer o parto de uma mulher alegando não serem hábeis naquela tarefa, logo optariam por uma solução mais sensata que desse fim ao problema. Entretanto, é um dever de todo cidadão votar, porque somente assuntos sérios necessitam de informação e conhecimento por parte de seus executores.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Abertura à mudança

"Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas." (Bertrand Russell)
Finalmente me apercebi do quão agradável é mudar de idéia, crer em algo diferente do que há pouco estava afeito a acreditar. Não de uma forma descabida, onde teria pontos de vista tão frágeis que uma mera brisa os arruinaria, deixando em seu lugar só resquícios desordenados de algo sem fundamento, mas sim tendo por base argumentos bem fundamentados onde não seja possível encontrar nenhum equívoco.
Todavia, o que se vê são indivíduos cujo desejo é cultivar sempre as mesmas crenças com as quais foram presenteados pela sociedade, em prol das quais sequer se propõem a despender breves instantes visando encontrar algum cabimento, ademais não cedem a mínima consideração às idéias opostas que recebem de bom grado de alguém bem intencionado.
Ambos os casos citados são abomináveis, pois não se deve possuir convicções construídas de palha nem de tijolos; contudo, um meio termo entre ambas é bastante instrutivo e revelador, onde o anseio seja por uma nova linha no livro de nossas verdades, não uma miríade de rasuras nem um definitivo ponto final.
Porém tais revelações que são a causa do tormento de muitos indivíduos, porque, por um lado, são tão apegados as suas convicções que abominam a possibilidade de essas serem incorretas, além do mais, para a imensa maioria é preferível crer em uma bela ilusão do que em uma realidade inquietante.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Modernizar e mecanizar

De geração a geração
Rumando à nossa mecanização;
Quanto mais possuímos
Mais somos possuídos
-
Impulsos consumistas nos consomem
O que é você uma máquina ou um homem?
A velocidade da vida e da informação
Não nos deixam a par da existente aflição
-
Em tempos modernos,
Pensar é algo do passado
Embora o que temos seja passageiro
Aqui, quem pensa é estrangeiro
-
Vem se acercando o dia dos namorados
Data em que romantismos são preparados
A perda da espontaneidade
Graças às luzes da cidade
-
Não há noites em vão
Um adeus à solidão
Pois a ficar com a arte e pensar
Dizem que é melhor sair e dançar
-
Dos tempos modernos
Parece que somos subalternos
Escravos do tempo
Sem consciência nem lamento
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Experiência com macacos
Vídeo que mostra o quanto somos movidos pela forma de agir dos outros, sem que nos perguntemos se aquilo é realmente certo ou simplesmente algo que, emborra errôneo, foi passado adiante com sucesso. De geração a geração gerando a nossa mecanização.
“É bem mais o costume e o exemplo que nos persuadem do que qualquer conhecimento certo”
Descartes
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Breve tratado sobre a irracionalidade

“A maioria dos homens hoje se sente desconfortável em rezar pela chuva, em virtude da meteorologia; mas não sente tanto desconforto em relação a preces para um coração saudável. Se as causas de um coração sadio fossem tão conhecidas como as causas da chuva, essa diferença cessaria.”
(Bertrand Russell)
É notório que a racionalidade difere o homem dos demais animais, logo, pode-se julgar o instinto como a antítese da razão, destarte, quanto mais o indivíduo é capaz de controlar o seu instinto em situações importantes, mais racional ele é.
Desde os primórdios de sua existência , o ser humano foi atormentato por um enorme temor ante o desconhecido, por conseguinte, ele denotava ter uma enorme pressa para se livrar de tais medos, logo adotava as primeiras soluções que lhe parecessem lógicas, embora essas, na grande maioria das vezes, fossem deveras precipitadas e infundadas.
É provável que diversos mitos ainda existentes nos dias contemporâneos sejam frutos de um mero acaso, como o fato de alguém ter cruzado por um felino preto antes de ser acometido por uma grande tragédia, consequentemente, este alertou seus compatriotas após descobrir uma das supostas fontes do azar, e tal informação se disseminou de tal forma que continua presente na vida de muitos.
Ademais, a criação de deuses é uma rota de fuga do ser humano, é algo instintivo, tendo origem desde a antiguidade clássica, onde se explicavam os trovões, a chuva e diversos outros fenômenos naturais por meio de algo divino. Também pode-se notar que povos isolados que jamais tiveram contato com outras formas de civilização também criam seus deuses devido ao terror que os assombra.
Os Astecas foram o povo que provocou o maior número de sacrifícios, um destes consistia em executar um indivíduo por dia para auxiliar o sol a nascer, não tenho conhecimento da origem desse sacrifício, mas é tão dotado de fundamento como estar dançando no exato momento em que começa a chover e definir a dança como causa e a chuva como consequência, embora, tal método comece a falhar "estranhamente" nas vezes seguintes, contudo o mito não se desfaz.
Entretanto, não se deve atribuir somente ao medo a criação de tais crendices, porque a conveniência tem um papel bastante importante nessa história, como no nazismo, já que a maioria se denominava como arianos, portanto era mais do que conveniente exterminar os demais e se qualificar como uma raça superior, conquanto o fizessem sem um exíguo uso da razão, porém isso não era importante. Nunca o é no que concerne à maioria das crenças aqui tratadas.
Indubitavelmente, um dos maiores receios da humanidade gira em torno da morte, logo a esta é relacionada a maioria dos mitos existentes, e as justificativas dadas a quem inquire de como é possível saber acerca de algo além da vida é que estas coisas simplesmente são assim e é impossível de explicá-las, visto que tais realizações vão além da nossa compreensão, portanto, basta que as aceitemos.
Contudo, no que tange à morte, não há como tirar a razão do que por Sócrates foi dito: “Mas a morte, ninguém sabe se acaso não é o maior de todos os bens para o homem – porém a temem como se soubessem ser o maior dos males! E o que é isso, senão aquela ignorância mais reprovável: a de pensar saber o que não se sabe?”. Tal frase foi proferida em seu julgamento, onde este foi condenado a beber a cicuta, podendo comutar sua pena pelo exílio, oferta que foi declinada, pois o filósofo julgou não ser algo muito inteligente trocar o incerto, que tanto pode ser bom, ruim ou até mesmo neutro, como a morte, por algo que certamente lhe seria prejudicial.
Dando prosseguimento, além de irracionais, somos presunçosos a ponto de criticar a cultura alheia e querer insituir a nossa em seu lugar, como foi feito com muito índios, obrigando-os praticamente a comutar seus hábitos pelos nossos. Tal atitude tem tanto fundamento como pegar uma de nossas mulheres, preferencialmente as filhas de tais palermas responsáveis pela idéia acima e as enviar a um país árabe, para que desfrutem de uma cultura melhor (ao menos do ponto de vista do povo de lá, em suma, o mesmo que fazemos com os índios), onde sequer possam sair de casa e mostrar mais de seu corpo do que os olhos.
Do mesmo modo, como há formas inócuas de crendices, há outras que provocam consequências bastante nefastas, por exemplo, é pouco relevante se alguém receia ou é indiferente e critica o mito de que passar sob escadas gera infortúnio, em contrapartida, houve a santa inquisição que perseguia indivíduos suspeitos e a muitos incinerava, tais suspeitas pairavam sobre homens que não iam muito amiúde à igreja ou não batizavam os filhos, entre inúmeros outros casos sob a alegação de estes serem bruxos devido a seus atos bastante estranhos.
Com base no exemplo acima, pode-se notar que havia uma crença muito maior na igreja do que no próprio Deus, e os indivíduos daquela época eram impossibilitados de questionar, até filósofos que diziam provar a existência de Deus mediante a metafísica eram perseguidos e seus escritos postos na lista dos livros proibidos. Na verdade era o pensamento, a racionalidade que estava sendo queimada, esta que hoje em dia sofre os mesmos atentados, porque assim que o indivíduo nasce já lhe imergem em um mundo de mitos e irracionalidade, onde a este cabe viver sem questionar e que a sorte lhe faça abrir os olhos enquanto ainda não for tarde demais.
sábado, 18 de abril de 2009
Momentos de monotonia

Dia desses, estava presente em uma determinada discussão, cujo assunto central, em dado momento, foi se era pior ser traído por alguém do mesmo sexo ou por outrem do sexo oposto, houve poucas respostas, porque o tema foi comutado em poucos instantes; contudo, uma delas dizia que era pior ser trocado por alguém do mesmo sexo, tendo em vista que tal pessoa teria mais atrativos se comparada com o ente traído, em contrapartida se fosse por um indivíduo do mesmo sexo não haveria possibilidades de concorrência, destarte seria menos doloroso.
Discordo de tal opinião tendo por base duas citações, primeiramente, como disse Nietzsche, nós amamos mais o ato de desejar do que o objeto desejado e, ademais, "Sempre que fazemos alguma coisa com muita frequência, ela jamais se constitui em um prazer", dito por Oscar Wilde. Ou seja, não há uma competição justa entre alguém que integra um relacionamento já desgastado pelo hábito e pela mesmice cotidiana com outrem imprevisível e fascinante, porquanto muitas pessoas perdem a imprevisibilidade e a arte de fascinar com o decorrer do tempo, com a queda do véu, o qual é responsável pelo misticismo, este detentor de enorme fascínio.
Adotando novamente a teoria de Oscar Wilde*, pode-se comer o seu prato favorito durante duas semanas, nos primeiros dias isso será visto como formidável, devido ao enorme prazer gerado; todavia, com o passar dos dias, ansiaremos por mudar o cardápio, embora por algo que não seja nosso alimento predileto, o mesmo ocorre se o melhor disco da melhor banda que consideramos for ouvido durante o mesmo período sem jamais alterarmos por outro. Haverá desgaste, desejo por algo distinto, o mesmo ocorre com a espécie de amor aqui tratada quando ela se torna um cárcere de repetições ao invés de uma aprazível forma de liberdade e inovações.
*Ler o escrito "Cárcere das repetições" presente neste blog.