quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fahrenheit 451


Um pensamento crítico é algo um tanto insólito atualmente, pois tudo é imposto de uma maneira muito parcial, sobretudo por alguns meios de comunicação; é como se não houvesse aquela importante lacuna onde o vazio deveria ser preenchido pela conclusão à qual cada um chegaria por meio da análise do que ali fosse apresentado; contudo, isso é desnecessário, pois a conclusão é como um cavalo de tróia, um falso presente distribuído junto com o produto, e às pessoas só resta, como forma de gratidão, difundir tais idéias sem constatá-las.
No filme Fahrenheit 451, uma crítica ao conformismo dessa grande maioria é feita de uma forma bastante peculiar, mediante uma grande ironia, onde os bombeiros, outrora responsáveis por acabar com os incêndios, são incumbidos da geração dos mesmos, e são justamente os livros, em cujas páginas encontram-se a história da humanidade e as mais distintas formas de pensamento, o objeto incinerado por esses profissionais. A justificativa para tal ato é que os livros nos fazem infelizes, além de mostrarem algo irreal; entretanto, aqui pode se notar outra ironia exposta no filme, pois uma das principais funções das obras literárias é nos abrir os olhos para o que ocorre em volta e instigar o pensamento a fim de que cada um descubra a si próprio para escapar da alienação, como disse Friedrich Nietzsche “Quem não obedece a si mesmo é regido por outros”. Após entrar em contato com uma determinada garota, o protagonista do filme, que era um bombeiro, começa a pensar e, em seguida, a questionar a lógica da queima de tanta informação preciosa, a partir desse momento, tentou despertar sua esposa de seu “transe” juntamente com algumas de suas amigas, pois estas despendiam sua via defronte à televisão, todavia de nada adiantou, porque as mulheres o viram como insano, o que acabou resultando em uma denúncia aos bombeiros feita por sua mulher alegando que seu marido dispunha de livros em casa, conseqüentemente provocando a fuga deste. Como em A alegoria na caverna de Platão, após descobrir a “luz”, o protagonista tentou fazer com que outras pessoas emergissem da escuridão; foi tratado, porém, com animosidade pelas mesmas. Aqui, torna-se providencial outra citação de Nietzsche: “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”
São inimagináveis as conseqüências que a privação da literatura traria ao homem, pois assim como todos temos direito à alimentação para que consigamos viver, todos deveriam tê-lo no que tange à possibilidade de ler um bom livro, deste modo nutrindo a mente com novas idéias.

7 comentários:

Danilo Cruz disse...

Já assisti ao filme. Muito bom o post!

gaspar bezerra disse...

so pra prestigiar o blog

blog disse...

Tanto o filme quanto o livro são excelentes. A belezura da Julie Christie faz dois papéis completamente distintos que revelam, justamente, livros diferentes.
É a grande metáfora do filme.
Mas o final é magistral. Esse é o destino das pessoas, a meu ver: tornar-se literatura.
Para quem a ama, não há melhor destino.

Postei sobre o assunto, há alguns meses.
Abraço.

Van disse...

Não assisti o filme o filme em questão, mas concordo com o que dise quanto a literatura ser acessivel a todos, e é. Acho muito importante e gosto muito de leitura, ao contrário da maioria das pessoas q tem preguiça. Muito legal seu post!
Bjo!

www.blogdavana.zip.net

Nicolle Longobardi disse...

Parabéns pelo blog!quando tiver um tempinho visita lá o meu!Beijinhos!!

30 e poucos anos. disse...

Eu ja vi o filme mas pra falar a verdade não lembro muito bem

Dário Souza disse...

Fiquei na vontade de ver.